Vou insistir no assunto conhecimento e aprendizado porque realmente acredito que vale a pena, já que cada vez mais isso se torna um
diferencial no mercado de trabalho.
Quando eu estava na faculdade tinha um professor de matemática financeira que vivia usando a frase "voces deveriam experimentar a estranha sensação do raciocínio" quando se referia à nossa preguiça mental. Hoje em dia entendi (eu acho) o que ele queria dizer e a aprecio tanto que acrescentaria "experiemente, dá barato!".
E o que isso tem a ver com arquitetura de software ou com tecnologia? Tudo! Escrevi no post anterior que uma das características que considero essenciais para um bom arquiteto - ou um bom profissional da área de TI em geral - é saber aprender, neste vou além:
um bom arquiteto deve usar sua experiência e conhecimento para ensinar a aprender.
O arquiteto até pode ser líder mas nunca chefeA diferença entre o líder e o chefe é que basicamente o primeiro é um cara que fica no plano de fundo, sem aparecer muito e cujo principal objetivo é levar os liderados ao sucesso, no contexto aqui proposto o sucesso seria o aprendizado, a aquisição do conhecimento. O chefe todo mundo tem e sabe como é.
Dentre as várias estratégias possíveis que poderiam ser usadas para atingir tal objetivo,
uma que gosto muito de aplicar consiste em fazer com que o aprendiz chegue a uma conclusão (aprenda) através de perguntas e mais perguntas, sempre dando direcionamento, gerando conflito, mas nunca relelando a resposta em si, até que num dado momento o próprio aprendiz tem o "estalo" que resolve a questão. Neste instante o cérebro faz sua parte liberando substâncias químicas que dão um certo tipo de
prazer (mais ou menos como a adrenalina) e a tal sensação do raciocínio se faz presente, como disse antes, dá barato!
Logicamente existem outros métodos, desde ensinar através de exemplos até as tais "
comunities of practice" onde se aprende estudando e observando os mestres (ou membros do core), ou então incentivando a leitura (e porque não escrita) de artigos técnicos e/ou científicos, etc.
O importante é que o aprendiz consiga criar em sua mente a inferência que leva à solução, e não a solução em si, pois a primeira pode ser combinada com outras para solucionar outros tipos de problemas criando assim a base de um cérebro criativo.
Mas porque não dizer logo o que e como fazer ? "Afinal é só dar a ordem, depois cobrar o resultado e pronto. Além do mais, fazer isso (ensinar a aprender) leva tempo, às vezes dá muito trabalho e nem sempre é bem recebido pela equipe".
Entre tantos motivos que consigo pensar, aquele que me parece o mais importante é: porque essa é uma via é de mão dupla, ensinar é a forma mais eficiente de aprendizado.
Pergunte aos seus professores, todos são unânimes em dizer que aprendem coisas novas diariamente com seus alunos, sendo assim o barato do aprendiz também é o barato do mestre: a aquisição de conhecimento.
Aí está a mágica, o conhecimento gera bem estar, que gera a predisposição a aprender, que realimenta a fonte inicial do ciclo, o mestre, que por sua vez se ve mais disposto ainda a ensinar. É este ciclo virtuoso que devíamos almejar ao escolher o difícil e trabalhoso caminho do ensinamento em detrimento da aparente agilidade de uma ordem.
bons estudos, bons ensinamentos
t+